Allan Sieber

DESENHOTERAPIA
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allansieber

A melhor idéia que tive nos últimos anos – além de procriar e diminuir os destilados – foi abandonar a cor no computador. Voltar a colorir na mão, não importa com o que, aquarela, lápis, ecoline. Para quem, como eu, não tem a minima idéia de como usar esses materiais, colorir na mão é sempre um mergulho no escuro, sabe-se lá o que vai sair. Divertido. Obviamente não vai sair nenhum Loustal, Marcello Quintanilha, Mattotti ou Carlos Nine, claro, mas será infinitamente mais prazeiroso do que colorir na merda do computador.

Preciso registrar que quem me alertou para a urgência de voltar a sujar as mãos foi o amigo quase-argentino Adão Iturrusgarai, que passou de uma fase de desenhos redondinhos e com cores chapadas de photoshop para uma onda totalmente selvagem (na verdade uma volta as origens)  que dura até hoje.

 

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NÃO É A MAMÃE!
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allansieber

Meu pai se chama Jouralbo. É inacreditável, mas é esse o nome dele. Meu avô era da Sociedade Esperantista e isso deve explicar alguma coisa. Ou não. É um assunto cercado de mistérios esse do nome dele.

Enfim, Jouralbo hoje tem 84 anos e está forte como um touro, desenhando nosso novo livro, “O fantástico mundo de Jouralbo”, um misto de diário e reminiscências levemente melancólicas. Quase uma continuação do “Ninguém me convidou”, que lançamos no final de 2010 pela Conrad.

Lá em casa nunca teve muito isso de “Dia dos Pais”, talvez um pouco de “Dia das mães” e “Dia das crianças” e olhe lá. Mas tudo sem alarde.

Uma lição bem preciosa que meu pai me ensinou – sem falar uma palavra, ele é meio caladão – desde a tenra idade é a de que o mundo NÃO me pertence.

Nana-nina, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Quer alguma coisa? Vai trabalhar. Simples assim.

Também recordo de uma ocasião quando o mimadinho caçula-da-mamãe aqui tinha um prato de abacate amassado na frente e fez pirraça (ou birraça, como dizemos no Sul), “Não, não quero comer essa coisa verde nojenta!”, ao que meu pai respondeu simplesmente enfiando minha cara no prato. Provei o abacate e gostei, vejam só. Gosto até hoje.

Valeu, Jouralbo.

Aqui o vemos com um ano cercado pelos pais, Emilia e Johann Albert, exatamente no mesmo terreno onde ele mora até hoje, no final da Cristovão Colombo, em Porto Alegre.

vos

 

E agora EU sou o pai, que loucura.

Meu filho Max tem um aninho e poucos meses e come tudo sofregamente, seja lá o que for que ponham no pratinho dele. Nossa rotinha diária de passeios pelas 07h30 ou 08h acabam invariavelmente conosco sentados em algum lugar comendo. Não importa o que eu estou comendo, ele sempre quer um pedaço. E depois mais e mais. Uma pequena draga voraz.

Vou livrar meu filho dessa jequisse de Dia dos Pais. Mais tarde – 3 anos, talvez? – será a hora dele espalhar para as amiguinhos a Grande Novidade: não existe Papai Noel! Se existisse merecia a Corte Marcial, vejam bem, um velho elitista que se veste de cetim vermelho com detalhes em algodão branco e só presenteia as crianças ricas, fodam-se as crianças pobres. Mas que velho bem filho da puta!

Tento criá-lo para o mundo, não para ficar na minha casa até os 20 e tantos anos. Nada de álcool gel, avalanche de brinquedos, frescuras e palhaçadas desnecessárias.

Eis uma fotinho de Max praticando seu esporte favorito: limpar pratos.

Até agora acho que estamos indo bem. Sim, senhor!

 

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